Senadora aponta alta nas mortes no governo atual e desmonta narrativa de genocídio yanomami no governo Bolsonaro

Ex-ministra apontou dados do próprio governo sobre aumento mortalidade na atual gestão e demonstrou que a crise é um desafio histórico, e não um proje
13/7/26 às 16:02, Atualizado em 13/7/26 às 16:04

A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), rebateu as declarações do representante indígena Dário Kopenawa durante audiência pública que debate a situação dos povos yanomami.

Kopenawa, membro do Fórum de Lideranças Yanomami, acusou a gestão anterior de promover ações contra os indígenas na região Norte.

Ele afirmou que “o governo passado abandonou” as comunidades e “queria matar o povo Yanomami”.

O representante indígena também tentou responsabilizar o ex-presidente pela morte de crianças e pelo avanço do garimpo.

Para desconstruir o argumento ideológico, a senadora destacou que, em 2022, ainda no governo anterior, registrou-se 343 óbitos, contra 356 mortes na atual gestão, fruto de problemas de saúde como malária e coqueluche.

A parlamentar expôs seletividade da acusação de genocídio e enfatizou que a invasão de garimpeiros na reserva é um problema crônico que ocorre há mais de 70 anos. Ela cobrou união de esforços e foco em soluções, repudiando embates baseados em partidarismo.

“Nunca houve uma ordem de um governo, nem desse atual governo, nem do governo anterior, nem dos governos anteriores, para se matarem Yanomamis”, declarou a parlamentar.

Assista a audiência pública: https://www.youtube.com/watch?v=M-vtDX0mAzs

O embate ocorreu durante realização de audiência pública da Subcomissão Temporária sobre os Povos Yanomami. O encontro tem como objetivo central avaliar a situação territorial, o avanço histórico do garimpo ilegal e os gargalos na assistência médica que impactam as comunidades.

A mesa de debates conta com a participação de membros do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e de porta-vozes do Fórum de Lideranças Yanomami, com espaço tanto para a prestação de contas governamental quanto para a apresentação de demandas das aldeias.

Polarização

Dário Kopenawa discursou na condição de porta-voz do Fórum de Lideranças Yanomami. A organização atua com o respaldo de entidades não governamentais, com destaque para o Instituto Socioambiental (ISA) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Essas instituições possuem alinhamento histórico com gestões progressistas no Brasil. Nas últimas disputas eleitorais, os grupos apoiaram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Além da articulação política interna, as entidades operam com suporte financeiro internacional, captando recursos de fundos vinculados aos governos da Alemanha e da Noruega.

Crise sanitária

A crise na Terra Indígena Yanomami persiste como um dos principais desafios humanitários do país, caracterizada por graves problemas de desnutrição, avanço do garimpo ilegal e surtos crônicos de doenças transmissíveis.

Apesar de o governo federal ter mobilizado vultosos recursos públicos e aportes orçamentários robustos para ações de emergência e segurança territorial na região, a aplicação dessas verbas ainda não se traduziu na resolução efetiva da crise sanitária.

O aumento de mortes, impulsionado por surtos de malária e coqueluche, demonstra que o aporte financeiro isolado tem sido incapaz de estancar a vulnerabilidade epidemiológica histórica da etnia.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


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