A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (22), para exigir a atuação do governo federal diante do esquema de desvio e venda irregular de medicamentos de alto custo, que inclui terapias contra o câncer, reveladas na operação Alto Custo, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Em ofício enviado ao ministro Alexandre Padilha, a parlamentar cobra que a pasta confirme se fármacos de origem criminosa entraram no Sistema Único de Saúde (SUS) e aponta risco à eficácia dos tratamentos.
Segundo as apurações policiais, os remédios foram reintroduzidos no mercado sem garantia de procedência ou condições adequadas de armazenamento.
“A orientação tempestiva aos pacientes é medida essencial para evitar interrupções indevidas de tratamento, reduzir riscos sanitários e preservar a confiança no sistema público de saúde”, argumentou a senadora no documento.
Além do envio direto do ofício a Padilha, Damares protocolou no Senado um Requerimento de Informações — instrumento legal que obriga o Executivo a prestar esclarecimentos ao Legislativo.
A parlamentar justificou o contato simultâneo com o ministério pela urgência de medidas preventivas, que não podem aguardar a tramitação burocrática no Congresso.
Silêncio federal
No texto, pede providências imediatas, como a emissão de orientações públicas aos pacientes, a articulação rápida com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para mapeamento da distribuição e a criação de um plano de contingência caso os remédios irregulares sejam encontrados na rede pública.
A parlamentar brasiliense também pede que o governo detalhe os lotes, fabricantes e unidades de saúde que já estão sob monitoramento.
A cobrança avança ainda para falhas estruturais. A senadora exige que a gestão Lula apresente um diagnóstico das vulnerabilidades da atual cadeia de fornecimento do SUS.
Ela pede a ampliação das ferramentas de rastreabilidade do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) e a implementação de mecanismos mais rígidos de auditoria nas compras públicas, especialmente nas de caráter emergencial ou decorrentes de judicialização.
Entenda o caso
Deflagrada pela PCDF, semana passada, em 17 de abril de 2026, a Operação Alto Custo desarticulou uma organização criminosa especializada no furto, roubo e revenda ilegal de medicamentos de altíssimo custo, principalmente para tratamentos de câncer, doenças autoimunes e transplantes.
Trata-se de um esquema de “lavagem de medicamentos” que utilizava empresas de fachada para reinserir no mercado remédios desviados, movimentando cerca de R$ 22 milhões em notas fiscais falsas.
A operação resultou em 5 prisões preventivas e no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos medicamentos avaliados em cerca de R$ 4 milhões.
A quadrilha furtava ou roubava os medicamentos (que custam até R$ 35 mil por unidade), adulterava a rastreabilidade e os revendia com notas fiscais frias, colocando em risco a saúde dos pacientes.
Os criminosos focavam em fármacos oncológicos e para pacientes transplantados, como Venclexta, Libtayo e Tagrisso.
Conduzida pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), a investigação durou um ano para mapear o esquema criminoso.
Senado Federal Anexo 2 Ala Teotônio Vilela Gabinete 04
SQN Qd 2, Bl J, 10º andar - Ed. Eng. Paulo Mauricio - Asa Norte