Quase R$ 1 bilhão e calçadas lotadas de população de rua: a pergunta de Damares que encurralou o governo

Senadora escancara ineficiência de plano federal que mobiliza 11 ministérios, mas assiste de braços cruzados ao avanço da miséria extrema no Brasil.
27/8/26 às 10:01, Atualizado em 27/8/26 às 12:13

Uma cifra milionária carimbada no orçamento, mas invisível nas ruas. O aparente fracasso do governo federal em conter a explosão da população em situação de rua virou alvo de um ataque frontal no Senado nesta terça-feira (25), evidenciando a paralisia da atual gestão.

Com 11 ministérios envolvidos e um plano que prevê gastar R$ 982 milhões em 2026, a máquina pública patina. Na presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) usou a própria matemática para constranger a inércia estatal.

“Falar sobre a população em situação de rua é falar de dignidade humana”, iniciou a parlamentar.

Em seguida, disparou o questionamento que expõe a crise do setor: “Temos um plano nacional com 99 ações, envolvendo 11 ministérios, e um orçamento para 2026 de R$ 982 milhões. E por que cresce tanto o número de pessoas em situação de rua?”, diz Damares, em vídeo publicado nas redes sociais.

Assista ao vídeo: https://x.com/DamaresAlves/status/2092937025913553407

A indignação ecoa os próprios dados oficiais. O comitê de monitoramento do Ministério dos Direitos Humanos admite que as calçadas brasileiras estão cada vez mais cheias. O déficit habitacional crônico e a epidemia de dependência química atropelam a burocracia de Brasília.

Debate

A audiência pública, convocada pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), colocou especialistas frente a frente com o vácuo das políticas públicas.

Durante o debate, representantes da Fazenda da Esperança e ex-moradores de rua deixaram claro que o modelo de entregar marmita e cobertor está falido. Eles exigem do Estado políticas reais de capacitação profissional e tratamento de sobriedade — ações que parecem não sair do papel enquanto o dinheiro escoa por planos ineficazes.

Para agravar o cenário, a omissão cobra um preço fatal. Abandonada pelo Estado, essa população vulnerável virou o principal alvo de tragédias climáticas, enfrentando mortes por ondas de calor e enchentes enquanto aguarda o resultado do pacote milionário anunciado pelo governo.

 


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