Senado avança com política nacional para diagnóstico da LAM, doença pulmonar rara

Comissão de Assuntos Sociais aprova projeto sobre linfangioleiomiomatose (LAM), enfermidade que afeta até 2.000 brasileiras. Medida prevê ampliação de
11/8/26 às 13:00

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, nesta terça-feira (11), a criação da Política Nacional de Conscientização e Orientação sobre a Linfangioleiomiomatose (LAM). A doença rara afeta os pulmões, rins e sistema linfático, atingindo predominantemente mulheres jovens.

Com caráter terminativo, o projeto de lei (PL 5.238/2025) segue agora para análise da Câmara dos Deputados. O texto estabelece diretrizes para que a União, os estados e os municípios estruturem, no âmbito do SUS, centros de referência para diagnóstico e tratamento da enfermidade.

Estudos internacionais recentes estimam que entre 1.000 e 2.000 pacientes convivam com a LAM no Brasil. O principal desafio relatado pelos especialistas é a inespecificidade dos primeiros sintomas, que se confundem com queixas respiratórias comuns, atrasando o encaminhamento adequado.

Acesse o relatório: https://abre.ai/sf6v

Relatora da matéria, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) atua há meses na pauta. A parlamentar já vinha chamando a atenção para o impacto financeiro e humano da burocracia que envolve a condição clínica, sendo uma das principais vozes na Casa sobre o tema.

“O diagnóstico no Brasil está demorando uma eternidade, e o tempo dessas brasileiras está correndo contra elas. O diagnóstico precoce não pode ser um artigo de luxo”, afirma.

Problema crônico

A fala de Damares, que também é vice-presidente da Subcomissão Permanente de Doenças Raras do Senado, resume a urgência abordada pelo parecer. A ausência de tratamento curativo definitivo reforça a necessidade do controle farmacológico.

A terapia padrão envolve o uso contínuo de inibidores como o sirolimo, que já foi incorporado ao sistema público de saúde. O medicamento atua para inibir as vias de sinalização associadas à proliferação celular e frear a progressão dos cistos no tecido pulmonar.

No parecer votado nesta terça-feira, a relatora detalha as manifestações graves da enfermidade. Em estágios avançados, há risco altíssimo de pneumotórax — presença de ar entre as membranas pulmonares — e a evolução para insuficiência respiratória. Sem diagnóstico oportuno, aumenta expressivamente a necessidade de transplantes de pulmão.

Sistema de coleta

Além do acompanhamento clínico, o PL aprovado determina a implantação de um sistema nacional para coleta e processamento de dados sobre os casos da doença. O objetivo é mapear o avanço epidemiológico no país e subsidiar o Ministério da Saúde na tomada de decisões técnicas.

A proposta tem um longo histórico no Congresso Nacional. A versão original da proposição (PL 5.078/2016) foi protocolada há dez anos na Câmara pelo então deputado federal Alan Rick (União-AC), atual colega de Damares no Senado. Em sua justificativa original, o autor ressaltava que a desinformação na rede básica penalizava as pacientes de forma silenciosa.

As despesas decorrentes da execução da lei, de acordo com o texto aprovado, correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, com suplementação se necessário. Não foram identificados vícios de inconstitucionalidade, juridicidade ou barreiras econômicas que impeçam a adoção da política pública pelos gestores do SUS.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


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