Senadora do DF cobra transparência sobre plano de reconstrução do BRB e impactos na população

Questionamentos ocorreram em audiência pública na qual presta depoimento o atual presidente do banco
9/6/26 às 15:28, Atualizado em 9/6/26 às 15:43

 

A senadora Damares Alves cobrou, nesta terça-feira (9), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), detalhes sobre o plano de reestruturação do Banco de Brasília (BRB). A parlamentar demonstrou preocupação com as possíveis consequências da crise na instituição para servidores públicos, a população do Distrito Federal e programas sociais do DF.

O debate ocorreu com a presença do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. A audiência foi proposta após a criação de um grupo de trabalho no Senado para acompanhar as investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master, que teriam impactado o BRB.

“O BRB não é mais um problema só do DF, ele é um problema do Brasil”, afirmou Damares, lembrando que a crise na instituição pode afetar depósitos judiciais de tribunais de todo o país. A senadora enfatizou que seu foco principal, a partir de agora, não será a investigação das irregularidades passadas, mas sim a garantia da estabilidade do banco e da proteção aos cidadãos.

A parlamentar questionou a origem da proposta de reconstrução da instituição. “A proposta nasceu dentro do BRB ou a proposta nasceu dentro do governo do Distrito Federal?”, indagou.

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Damares também pediu esclarecimentos sobre o valor total do déficit da instituição, que motivou o plano de recuperação. “Qual é o valor do rombo? (…) Nós temos uma sopa de números que a gente não consegue entender”, disse.

Outra preocupação da senadora diz respeito às garantias oferecidas pelo governo para viabilizar o plano de reconstrução do banco.

Ela questionou se é verdade que o Fundo Constitucional do Distrito Federal está sendo “colocado na mesa” como garantia e se o plano implicará na suspensão de concursos públicos e de reajustes salariais para os servidores do DF.

“Quais patrimônios nossos realmente serão comprometidos nesse plano de reconstrução?”, cobrou.

A senadora alertou ainda para os possíveis impactos nos mais de 30 programas sociais mantidos pelo BRB no Distrito Federal e se opôs à possibilidade de liquidação da instituição. “Esse é um patrimônio nosso, nós temos que lutar por este patrimônio. Mas qual é o preço dessa luta, presidente?”, questionou.

Respostas do BRB

Durante a audiência, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi questionado sobre o volume das transações entre o BRB e o Banco Master. Ele confirmou que, no período entre 2024 e outubro de 2025, o valor transacionado chegou a R$ 30 bilhões.

Sobre a necessidade de aporte de R$ 8,8 bilhões para o banco, Souza detalhou a composição desse valor. Ele explicou que o pedido foi feito com base nos R$ 21,9 bilhões que o banco possui em ativos, considerando a necessidade de provisão de perdas.

O presidente do banco afirmou que a provisão para perdas de ativos foi estimada em R$ 2,6 bilhões. “Mas não é só isso. Existem outros ativos frágeis que nós já, na análise que fizemos, chegam a esse R$ 8,8 bilhões”, declarou.

Souza informou que o plano prevê a captação de R$ 6,6 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e R$ 2,2 bilhões oriundos da securitização de dívidas do GDF.


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