Emprego para quem tem autismo é direito e não favor, diz Damares

Senadora presidiu audiência pública da CDH sobre o tema, com a presença de autistas, especialistas e ativistas
9/4/26 às 14:28

A presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, Damares Alves, afirmou que a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho é um direito e não um favor. A declaração abriu a audiência pública interativa realizada pelo colegiado, nesta quinta-feira (9).

O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo, especialistas e sociedade civil para fazer um balanço sobre a inserção de profissionais com TEA no setor produtivo.

Em pauta, as barreiras cotidianas que atrasam a inserção de pessoas atípicas no setor produtivo. Damares destacou os obstáculos do mercado, cobrando menos discursos e mais contratações reais.

“Nós temos uma legislação robusta, mas precisamos de efetividade. O setor público e a iniciativa privada devem andar de mãos dadas para criar ambientes de trabalho genuinamente adaptados e acolhedores”, defendeu a senadora durante a sessão.
Durante o debate, palestrantes apontaram a exclusão nas etapas de entrevista e a falta de adaptação das rotinas corporativas como as principais barreiras.

Convidado para falar sobre a vivência do trabalhador atípico, o escritor e palestrante autista Victor Mendonça destacou as falhas no processo de recrutamento. “O diploma e o currículo do autista muitas vezes perdem para a falta de compreensão do recrutador. O maior obstáculo não é a nossa capacidade técnica, é a barreira do preconceito na porta de entrada das empresas”, relatou.

O representante do setor privado na audiência, Thomas Strauss, da Major Tom Tecnologia — empresa com iniciativas voltadas à empregabilidade autista, focou nas soluções corporativas.

“As companhias ainda têm receio do desconhecido. Quando uma empresa adapta a comunicação e foca na clareza das metas, ela descobre que o profissional autista entrega níveis de lealdade e precisão muito acima da média”, explicou.

Pelo lado do governo federal, o diretor de Emprego da Secretaria Nacional de Qualificação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Tiago Oliveira Motta, defendeu a criação de uma ponte mais segura entre o ensino e o trabalho.

“Precisamos ir além da Lei de Cotas. O Ministério tem buscado desenhar políticas que acompanhem esse jovem desde a qualificação até a adaptação da cultura organizacional da empresa que o recebe”, destacou Motta.

A audiência contou com a participação do público externo por meio da Ouvidoria e do Portal e-Cidadania. Segundo a CDH, as propostas e os balanços apresentados pelos especialistas servirão de base para a elaboração de novos projetos de lei focados em incentivos fiscais e adaptação de espaços de trabalho.


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