Damares contesta na Justiça desfile de Carnaval que promove Lula com recursos públicos em ano eleitoral

Ação pede multa de R$ 10 milhões por transmissão de críticas a Bolsonaro e ressarcimento do Erário por desvio de finalidade no uso dos recursos públic
3/2/26 às 13:43

Em novo capítulo envolvendo a promoção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma escola de samba carioca, financiada com o Erário, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou, nesta terça-feira (3), junto à Justiça Federal, em Brasília, uma ação popular para impedir, liminarmente, a transmissão do desfile político-partidário.

Damares Alves pede total ressarcimento do dinheiro público recebido pela escola de samba Acadêmicos de Niterói e também restrições à transmissão de críticas políticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sob pena de multa de R$ 10 milhões a rádios e TVs que descumpram a medida, que na visão da senadora pode influenciar na escolha do eleitor, em outubro desse ano.

É a segunda medida para alertar sobre irregularidades no desfile. Ontem, a parlamentar protocolou denúncia junto ao Ministério Publico com pedido de investigação para que seja apurada possível propaganda eleitoral antecipada, com o agravante de uso de verbas federais, estaduais e municipais.

“É a finalidade da destinação de recursos públicos no carnaval de 2026, tal como anunciada, – tão somente – para que o art. 215, da Constituição seja cumprido, a saber, que a cultura brasileira seja difundida e apoiada. Jamais para que as verbas públicas ali empregadas sejam desvirtuadas para uma verdadeira manifestação político-eleitoral em céu aberto e no período vedado”, critica um trecho da ação.

Dados divulgados pela imprensa nos últimos dias informam que as 12 escolas que compõem a primeira divisão do Carnaval fluminense receberam, como incentivo, R$ 40 milhões do governo estadual, R$ 2 milhões da Prefeitura do Rio e outros R$ 12 milhões da Embratur, agência federal de incentivo ao turismo.

Críticas a Bolsonaro

Além de prestar reverência ao atual chefe do Executivo, que recentemente anunciou que vai concorrer à reeleição, o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, que este ano integra o Grupo Especial do Carnaval do Rio, há previsão de elementos de críticas ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

O texto alerta que a propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 15 de agosto do ano da eleição, com o intuito de evitar a captação antecipada de votos, o que ensejaria desequilíbrio entre os candidatos, com possível interferência no resultado das eleições.

Risco de confusão

A petição alerta sobre a imprevisibilidade da reação dos mais de 80 mil presentes na Marquês de Sapucaí, onde é realizado o desfile e diz que há “o potencial de haver uma confusão generalizada durante o desfile da Impetrada” com o risco de “a situação pode sair do controle, maculando o objetivo de uma festa”.

O texto diz que o objetivo da ação não é impedir o desfile, mas reprimir o que considera irresponsabilidade pela escolha de homenagear personalidade política que já anunciou intenção de concorrer no pleito deste ano.

Damares Alves afirma que a agremiação assumiu risco de sofrer impugnações ou restrições ao escolher fazer ataques a determinado grupo político e promover outra liderança após receberem recursos públicos. Ressalta, ainda, que é sem qualquer propósito denegrir a imagem de alguém com a desculpa de homenagear outro.


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