A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou, nesta terça-feira (27), um ofício junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a imediata instauração de procedimento para apurar a conduta de autoridades federais.
A representação tem por objetivo apurar omissão de registros em agendas oficiais de reuniões ocorridas entre o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com o documento, reportagens recentes, revelaram que o Presidente Lula teria recebido Vorcaro em compromisso secreto no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, sem o devido registro público. O encontro teria contado com a intermediação do ex-ministro Guido Mantega e do chefe do gabinete pessoal da Presidência, Marco Aurélio Ribeiro.
A senadora destaca que novas notícias indicam encontros sigilosos também em dezembro de 2025, período em que a instituição financeira enfrentava processos de liquidação pelo Banco Central.
Transparência
No texto enviado ao procurador-geral, Paulo Gonet, Damares Alves argumenta que a ausência de publicidade dessas reuniões fere os princípios da moralidade administrativa previstos na Constituição Federal.
“Todas as autoridades estão sujeitas à obrigação de divulgarem suas agendas oficiais pela aplicação dos princípios da moralidade administrativa e da publicidade, previstos no art. 37 da Constituição e na Lei de Conflito de Interesses”, fundamenta a parlamentar.
A senadora levanta a suspeita de que Daniel Vorcaro pretendia utilizar influência junto à cúpula do Executivo e do Banco Central para resolver problemas relacionados à liquidação da instituição financeira.
Contratações Exorbitantes
A denúncia também atinge o Poder Judiciário e ex-membros do governo. O documento cita:
• Contrato Milionário: Um contrato de valor considerado exorbitante entre o Banco Master e a esposa do Ministro Alexandre de Moraes para atuação na área jurídica.
• Ex-Ministro Lewandowski: A contratação do ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, por valores que ultrapassariam R$ 120 milhões.
• Articulação Política: A confirmação do Senador Jaques Wagner de que indicou Lewandowski ao banco após ser procurado por representantes da instituição.
Damares quer que a PGR investigue se a atuação de Lewandowski como consultor ocorreu enquanto ele ainda ocupava o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública.
Pedidos de Investigação
A representação sugere que a PGR providencie a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos para a elucidação dos fatos. A senadora cobra a apuração de eventuais crimes de responsabilidade por parte do Presidente da República, do Presidente do Banco Central e do Chefe do Gabinete Pessoal.
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