O disparo indevido de um “Alerta Extremo” da Defesa Civil para milhões de celulares na madrugada do último dia 20 de junho de 2026 transformou a segurança da informação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alvo de escrutínio no Senado Federal.
Nesta segunda-feira (22), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou três requerimentos exigindo explicações da Esplanada dos Ministérios sobre a vulnerabilidade da plataforma federal.
O principal temor no Congresso é que bases de dados com números de telefone de cidadãos tenham sido invadidas, abrindo caminho para a aplicação de golpes financeiros e fraudes.
As cobranças miram os ministros Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública).
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O caso veio à tona quando os aparelhos foram acionados por um alarme sonoro reservado a emergências de risco iminente. A mensagem, contudo, não indicava nenhum desastre e trazia apenas a palavra “misantropi4”.
No detalhamento das cobranças, a parlamentar brasiliense questiona se o funcionamento do sistema depende do uso de cadastros pessoais de telefone.
O Senado exige saber se o Ministério das Comunicações já detectou “aumento de tentativas de golpes, fraudes, campanhas de desinformação ou utilização indevida do episódio para enganar usuários dos serviços de telecomunicações”.
Terrorismo
Para dimensionar a gravidade do incidente, o requerimento endereçado ao Ministério da Integração adverte que o episódio pode ir além do vazamento de dados e ameaça a segurança física da população.
“Qualquer comprometimento da credibilidade do sistema possui potencial para reduzir a confiança da sociedade justamente quando o mecanismo vier a ser utilizado em situações reais de emergência, circunstância que pode comprometer a efetividade das ações de proteção e defesa civil e, em última análise, colocar vidas em risco”, alerta Damares.
A infraestrutura tecnológica do país também está sob cerco parlamentar. O Legislativo cobra a Polícia Federal sobre a linha investigativa em curso, exigindo saber se houve ataque cibernético coordenado, comprometimento de credenciais ou a simples exploração de uma vulnerabilidade ignorada pelo Executivo.
O texto endereçado à Justiça aponta ainda que o uso de “misantropia” — aversão à humanidade — pode indicar a ação de extremistas ou grupos cibercriminosos com o propósito de provocar “temor coletivo, descrédito nas instituições públicas ou perturbação da ordem social”.
Após a falha generalizada, o governo federal suspendeu o sistema Defesa Civil Alerta de forma preventiva para tentar conter o incidente.
Foto: Ton Molina/Agência Senado
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